Jovens licenciados totalmente excluídos da retoma do emprego

Jovens com ensino superior foram dos mais sacrificados no tempo da troika. Muitos emigraram, mas o fenómeno tornou a emergir.

A taxa de desemprego subiu de 12,2% para 12,4% da população ativa entre o último trimestre de 2015 e os primeiros três meses deste ano, mas há alguns sinais ligeiros de retoma laboral nos dados ontem divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). No entanto, um problema crónico mantém-se: os jovens licenciados parecem ter ficado, uma vez mais, para trás.

Apesar do aumento (crónico) da inatividade, concentrado no número crescente de reformados, houve alguma criação de emprego em termos homólogos (mais 0,8% face ao primeiro trimestre de 2015) e um alívio ténue em alguns indicadores de precariedade.

licenciados desempregados dados do INE

Números gerais escondem dura realidade

Os (melhores) números gerais escondem, de facto, uma situação cada vez mais grave. O novo inquérito ao emprego mostra que ser jovem e licenciado continua a ter pouco retorno. E reveste-se de perigos para o futuro próximo. O desemprego prolonga-se, o emprego é mais difícil de encontrar, o grau de alienação destes diplomados até está a aumentar, muitos deles nem sequer estão em formação ou a estudar, o que consiste num risco maior para a sua empregabilidade futura. Em contrapartida, os diplomados com mais idade estão a conseguir encontrar lugares. Veja-se primeiro um primeiro exemplo, o da população desempregada. No país há oficialmente 640,2 mil pessoas sem trabalho, menos 10% do que há um ano.

Destes, 124,2 mil têm o ensino superior concluído. Este grupo cresceu quase 4% e para isso contribuiu o agravamento no contingente de diplomados desempregados com idades entre os 25 e os 34 anos. No primeiro trimestre, havia 49,7 mil casos, mais 3,1% do que há um ano. O grupo está a engrossar há três trimestres consecutivos. A taxa de desemprego correspondente também subiu, chegando a 13,3%, bem acima da média nacional que aponta para 9,6% de licenciados sem emprego (todas as idades).

Mas há pior

O INE lançou há cerca de três anos um novo indicador que mostra a evolução do número de “jovens com idade entre 15 e 34 anos não empregados que não estão em educação ou formação”. Segundo os especialistas em mercado de emprego, Sónia Torres, do INE, e Francisco Lima, do IST, são “jovens de um determinado grupo etário que, na semana de referência, não estavam empregados (isto é, estavam desempregados ou eram inativos) nem frequentavam qualquer atividade de educação ou formação nessa semana ou nas três anteriores”. Os números da base de dados do INE falam por si. Há 318 mil jovens classificados naquele grupo em Portugal. O contingente geral tem vindo a diminuir desde finais de 2013, recuando 2% no primeiro trimestre. Exceção: os licenciados – 61,7 mil têm cursos superiores e estão ou desempregados ou inativos, e não têm qualquer atividade de formação ou de ensino.

Este contingente está a aumentar em termos homólogos há três trimestres consecutivos. Cresceu 8,8% nos primeiros três meses deste ano.

Desempregados e parados nas qualificações: um perigo

Os dois economistas avisaram num estudo de 2014 que a permanência nesta situação “constitui um obstáculo ao processo de acumulação de capital humano (realizado na escola ou no trabalho), que é levado a cabo essencialmente nestes grupos etários, limitando-lhes as perspetivas de melhoria da sua situação”. Ou seja, “estes jovens são muito vulneráveis aos efeitos da crise […] que vão ser duradouros ao longo da sua vida”. A crise entretanto acabou, mas o fenómeno voltou a emergir. Por outro lado, a economia ganhou mais 0,8% de empregos face ao arranque de 2015, mas aqui o problema também aparece, mas de forma menos aguda. Quando se olha para o emprego de licenciados, este cresceu 3,7%. Quando se disseca por camadas etárias vê-se no grupo até aos 24 anos a destruição de emprego supera os 13%. A criação de emprego é liderada pelos diplomados com 45 a 64 anos (7,1%) e nos que têm mais de 65 anos (23,5%).

Como se referiu, há sinais favoráveis no novo inquérito ao emprego. O desemprego jovem (todos entre 15 e 34 anos) é de facto muito menor do que no passado recente. Este recuou 6,6%, para 268 mil casos. Assim é porque os menos “escolarizados” compensam o que está a acontecer nos diplomados.

Desemprego sobe até 12,4%. Governo aponta para 11,4%

A taxa de desemprego subiu, no primeiro trimestre de 2016, para 12,4% da população ativa, indicou o INE. Estão sem trabalho cerca de 640,2 mil pessoas, mais 1% do que no último trimestre de 2015, mas ainda assim o número vale um recuo de 10,2% face ao período homólogo, quando a taxa era 13,7%. A primeira leitura do ano no desemprego está ainda acima da projeção do governo, que aponta para 11,4% em 2016 (Programa de Estabilidade de abril). Por setores, em termos homólogos, o desemprego recuou em todos os setores de atividade. Na agricultura e na pesca, a melhoria foi inequívoca, o desemprego desceu (homólogo e trimestral). Na indústria e nos serviços houve um agravamento no trimestre face ao final de 2015. Todas as grandes regiões do país têm agora menos desempregados do que há um ano.

Mas quando se compara com esse final de 2015, Lisboa destoou da média, acumulando mais 9,5% de desempregados. A região Centro mais 0,9%. Os dois tipos de desencorajados face ao emprego (população inativa) estão a regredir, ao contrário do que aconteceu durante a crise. A CGTP relembra que “considerando os desempregados desencorajados, os desempregados abrangidos pelos estágios do IEFP, por contratos de inserção” e ainda “quem procura emprego mas não estava disponível”, “então a taxa de desemprego real sobe para 21,5%”. Assim, há 1,6 milhões de pessoas realmente sem trabalho, conclui.

Fonte: Dinheiro Vivo

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Author: Formação & Emprego

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